18 de Abril de 2010.
Domingo.
São 9 e alguns minutos.
A manhã está cinzenta.
Recordo que tive uma noite calma e sem sonhos.
Estou e pijama e roupão à porta da minha casa a fumar um cigarro.
Volto para a cama, a Olinda dorme tranquilamente, ajeito as almofadas e tiro o livro da mesa de cabeceira.
No mais absoluto sossego leio calmamente "O terceiro sexo" da autoria de Raquel Lito até às 10 e meia.
A Olinda acorda e pede-me a agenda dos telefones para ligarmos à Rosa que fazia anos e nesse preciso momento dá-se a explosão!
Na minha cabeça formam-se as palavras e quando abro a boca sai algo completamente diferente. Ela não se apercebe.
Continuo a querer falar, constato a desafinação entre o pensamento e a palavra e ela não se apercebe.
Saio porta fora, tento chamar a minha Mãe que não me ouve e ouço uma voz que não é a minha. A terrível ameaça está à minha frente e o meu cérebro começa a funcionar a 500 à hora. MERDA! ESTOU A TER UM AVC!
Penso no Pai, na Avó, no Ezequiel, no José Cardoso Pires e a temer a destruição do que o minha memória de anos apaixonados de leitura tinha conseguido arrumar até à data.
Irrequieta começo a andar, esmurro as almofadas do sofá porque as palvras não saiem e a Olinda dá-me uma caneta. O meu braço direito está teimosamente dormente e escrevo letras atabalhoadamente.
Pego no telefone, faço gestos desesperados para o tecto a tentar falar e de súbito sai-me claramente a palavra Mãe. A Olinda finalmente despertou e disse-me que vai telefonar para ela. Em menos de cinco minutos ela estava na minha sala. Não me perguntem porquê, mas senti-me meia salva.
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